— Quer dizer que foi por isso que você disse aquela história de que a nossa vida não passa de uma história escrita por um louco atrás de um computador.
— Sim, mas, isso é verdade. Quer dizer, não bem isso mas. . . Você me entendeu.
— Quer dizer que é isso mesmo esse negócio de Deus? Quer dizer que. . .
— Olha garoto, antes que me pergunte, não é porque estamos mortos que entendemos o Criador. Seja ele Deus, Alá, Jeová, Zeus. O que eu sei é que, como pode ver, a morte não é o fim, mas isso não significa que descobrimos os mistérios da vida, estamos longe disso. O que posso explicar é sobre mim.
Pedro ficou um pouco decepcionado. Ele esperava ouvir uma história e uma explicação sobre a criação do mundo, do tempo e do espaço e tudo mais, como toda pessoa também espera. Mesmo assim, ele virou-se e perguntou a ela:
— Então como você sabe o futuro? Como você o adivinhou? Como você viu o futuro? Se você não adquire nenhum conhecimento especial, como sabia o que ia acontecer comigo?
— Olha garoto. – começou a velha. – Aviso primeiro que minha explicação é independente de religião. Não quero desmerecer nenhuma. Mesmo que eu faça isso, é sem querer. Primeiro, eu não vi o futuro por uma explicação muito simples: eu não posso ver algo que não aconteceu. Acredite, garoto, não há destino. Quem comanda nossas vidas somos nós mesmos.
— Então como você sabia? Como você sabia que eu receberia ajuda de uma pessoa que eu não esperava? Como sabia que eu teria um futuro cheio de incerto, cheio de merda acontecendo?
A velha deu uma leve risada.
— Há uma pequena explicação garoto. Quando você olha para o céu e vê as nuvens cinzas e o dia escuro, você diz: “vai chover”. Mas como você sabe isso? Você não prevê futuro. Sinais, garoto, sinais! Quando você olha o vaso de porcelana na beiradinha da mesa, você logo conclui que ele vai cair e quebrar se não tira-lo de lá. Eu tenho simplesmente a capacidade de ver esses sinais. Através de você, vi tudo o que estava acontecendo ao seu redor e previ para você. Aprenda uma coisa: não existe um destino traçado e imutável, o que existe são tendências, algo que provavelmente irá acontecer, deduzida pela análise das circunstâncias.
Fez-se silêncio. Os dois ficaram algum tempo quietos. Pedro começou a refletir sobre tudo aquilo que a velha estava lhe dizendo, até que resolveu perguntar:
— Como você conseguiu esses poderes?
— Através de muitas experiências. Não foi uma passagem rápida e de uma hora para outra. Eu levaria uma eternidade para contar.
— Vamos, conte. Eu tenho a eternidade inteira – brincou Pedro . — Ah, não garoto. Para você, eu tenho outros planos.
Escrito por Antero Filho às 16h07
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