Espaço aberto



 

KLAUS



Escrito por Antero Filho às 00h05
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No capítulo anterior. . .

Todos descobrem que Diego é racista e ficam espantados. O ex-presidiário ameaça sair da equipe, mas ainda não chegou a deixá-la. Klaus e Romeo finalmente recebem seus primeiros pagamentos por suas missões e acabam por descobrir que suas cabeças estão a prêmio, ambas valendo cinco mil reais. Só aí, Sophia e Romeo descobrem que Klaus estava sendo acusado de roubar as armas de ouro da sua própria família.

Sem músicas neste capítulo

J.&.R - Quando a lua se põe

Capítulo vinte e cinco: Objetivo de ouro

 

"Até quanto devemos arriscar por um objetivo?"

 

– Você roubou as armas da sua própria família? – perguntou Sophia



Escrito por Antero Filho às 00h04
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Klaus retirou rápido o papel de sua recompensa e foi dobrando, enquanto saia de perto dos seus dois companheiros, indo para a saída do prédio, descendo as escadas. Sophia foi atrás dele, perguntando o que havia acontecido, mas Klaus respondeu somente com um “não interessa”, antes de fechar a porta que levava ao subterrâneo.

Romeo segurou Sophia, impedindo de prosseguir com o questionamento em cima de Klaus. Ela olhou para ele sem entender o que estava acontecendo, mas ele respondeu apenas com um “deixa pra lá”.

Klaus sabia o que havia acontecido, e contaria aos demais quando achasse necessário.

Klaus se encontrava no seu quarto. Estava de castigo por pegar as famosas armas douradas da família Armadouro e ficar brincando com elas no salão. Para o pai, aquilo era muito grave, pois ele prezava toda a tradição da família, e a tradição mandava que as armas tinham de ficar com o primogênito, assim que ele atingisse a maioridade e pudesse se casar.

Naquela mesma noite, o pai de Klaus apareceu no seu quarto, trazendo as duas armas douradas nas mãos. O filho não queria olhar, mas o pai sentou-se na sua cama e começou a explicar.

— Filho, você sabe o significado dessas armas para a família, não é novidade que elas irão ficar com o seu irmão, Gabriel. Elas foram as primeiras armas de Silbra, trazida por nossos antepassados, tem a assinatura do primeiro Armadouro na coronha das duas armas e elas são passadas para os homens primogênitos durante várias gerações.

— Isso é injusto, pai.

— Se é justo ou não, eu não sei. Mas é assim que funciona. Seu tio, meu irmão, tentou roubar de mim esse direito, mas não é assim que funciona.

— Mesmo se eu provar para o senhor – começou Klaus, agora encarando o próprio pai – que eu posso ser melhor que Gabriel?

— Filho, ele tem agora 22 anos, acabou de atingir a maioridade da família, e com certeza te derrotaria. Até você chegar a ter uma idade competitiva, Gabriel já se casou e já herdou essas armas.

— Não é bem assim, pai. Gabriel ainda não conseguiu arranjar uma noiva. E eu posso derrota-lo, sei que posso.

O pai de Klaus, Guter Armadouro, fechou os olhos, cobriu o filho e foi se deitar. O garoto não entendia o que o pai estava fazendo, até que o grandão falou, quando estava quase fechando a porta e deixando o quarto do filho:

— Bom, há um jeito de conseguir.

Klaus percorria o túnel que comunicava a base com a casa caindo aos pedaços. Chegou e já saiu daquela casa imunda. Foi andando pelas ruas, olhando para os lados, vendo se ninguém o reconhecia, e voltando seus olhos para o papel que oferecia cinco mil reais de recompensa pela sua cabeça.

— Eu não acredito que meu pai chegou a esse ponto.

Grande evento na família Armadouro. Finalmente o grande casamento do primogênito iria acontecer. Era o momento esperado por toda a família, e todas as famílias importantes de toda Silbra estavam lá para presenciar o casamento e a entrega das armas de ouro ao noivo.

Depois de três anos de atingir a maioridade da família e depois de ter problemas com mais de duas candidatas a noiva, Gabriel finalmente estava se casando, com os seus 25 anos e toda a sua maturidade. O casamento não estava sendo realizado em uma igreja, como seria de costume, pois não conseguiria comportar toda aquela quantidade de gente.



Escrito por Antero Filho às 00h00
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A festa ia bem, com todos os convidados bebendo e comendo. Klaus, vestindo seu melhor terno, conversava com alguns burgueses da Cidade Delleste, quando veio um fotógrafo e tirou uma foto dele, cegando-o com o flash. O garoto, com já seus 17 anos, pensou em brigar com o fotógrafo, mas deixou de lado. Hans,o irmão do meio, chegou junto a ele e avisou que a cerimônia iria começar.

Guter pediu a atenção de todos os presentes pelo microfone. Todos os ricos e pessoas importantes da cidade que estavam ali sentaram-se e fizeram silêncio. O chefe da família anunciou então o casamento do seu filho mais velho.

E tudo aconteceu de um modo maravilhoso. Todos aplaudiram, entrou o noivo, mais tarde a noiva. Com o padre, fizeram um magnífico casamento a céu aberto. Todos comemoraram e brindaram, inclusive Klaus, que com seu irmão do lado, parabenizou os dois.

Mais tarde, finalmente a cerimônia que todos esperavam: A entrega das armas de ouro ao noivo, tornando-se portador oficial do símbolo maior da família. Todos fizeram silêncio, Guter tomou o microfone para si e começou o seu discurso:

— Agradeço a presença de todos para o fato mais importante da nossa família. E hoje, é com muita alegria e um pouco de tristeza no coração que entregarei as armas de ouro ao meu filho Gabriel. Tristeza, porque não serei mais eu o representante guardador da família Armadouro, contudo, tenho a certeza de que entregarei este símbolo tão magnífico a alguém capaz, competente e que terá um excelente futuro. Obrigado a todos.

Vários aplausos, todos se levantam. Quando Guter estava para entregar o que havia prometido nas mãos do filho, uma surpresa aconteceu. Klaus levantou-se de súbito:

— Eu quero pedir desculpas, primeiramente, a todos os presentes – todas as atenções viraram-se para ele – Mas eu gostaria de propor um desafio ao meu querido irmão e herdeiro oficial das armas. Um duelo, o vencedor leva a herança maior.

Todos ficaram espantados. Aconteceu o “ohh” geral, e inclusive o pai e filho mais velho não acreditaram.

A princípio, esse era o único meio de Klaus conseguir as armas de ouro: desafiar o herdeiro original momentos antes de lhe ser entregue a herança. Contudo, ele pagara um preço: arriscava a posição na família. Se perdesse, seria expulso da família como perdedor, como aquele que ousou desafiar o verdadeiro herdeiro das armas. Se ganhasse, ficaria com a herança e expulsaria o irmão mais velho, este sendo visto como não merecedor do sobrenome da família.

Absolutamente ninguém esperava por isso. Historicamente, apesar de existir na tradição da família, isto nunca havia ocorrido. Todos estavam surpresíssimos e ao mesmo tempo curiosos e ansiosos para ver o que iria acontecer.

Gabriel não poderia recusar o desafio, senão constrangeria a todos. Seria apontado como aquele que recusou o desafio de seu irmão oito anos mais novo. Como era de se prever, o irmão mais velho apenas disse:

— Desafio aceito.

Todos prenderam a sua respiração. Segundo a tradição de família, o duelo deveria ser feito da seguinte maneira. Um ficaria de costas para o outro, andariam cinco passos, contados por um juiz e assim virariam e tentariam acertar um ao outro. Para não haver mortes, seriam usadas balas de tinta. Aquele que levasse mais balas de tinta seria o perdedor.

Foram então os dois para o lugar onde duelariam. Colocadas balas de tintas, com as armas carregadas, os dois foram ficar de costas um para o outro. Sem que ninguém percebesse, Gabriel depositou uma bala em cada um dos dois bolsos de Klaus.

O pai então, que fez as vezes de juiz, contou os cinco passos. Todos os espectadores estavam ansiosos para saber que seria o novo herdeiro das armas douradas. E assim foi: “Um. . . Dois. . . Três. . . Quatro. . . CINCO!”



Escrito por Antero Filho às 00h00
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Os dois viraram-se rapidamente e começaram a atirar, projetando seus corpos para o lado também, a fim de não serem atingidos. A partir daí, foi um maravilhoso espetáculo. Gabriel com seus movimentos muito precisos atirava em seu irmão sem piedade, mas Klaus não ficava para trás e apesar de ser tão mais novo, não deixava que seu irmão o superasse. Pulos, saltos, tiros e tinta pelos dois.

Klaus pula caindo para trás, e assim que faz isso sente as duas balas no seu bolso estourarem: Gabriel havia trapaceado.

As balas de ambos haviam acabado. Foi seu pai então para contar a quantidades de tiros que cada um levou. No final, a sentença foi precisa. Klaus possuía oito marcas de balas e Gabriel somente sete. O vencedor e portador com mérito das armas de ouro era Gabriel. Klaus não poderia acreditar no que estava acontecendo.

Klaus olhava para o teto de seu apartamento, onde morava desde que fora expulso de sua família. Pegou o papel que mostrava a sua recompensa, com a foto que havia sido tirada na festa de casamento do seu irmão, dobrou e guardou no seu bolso. Ainda não parava de recordar os fatos que haviam ocorrido com ele. Lembrou-se do dia em que toda a família passou a odiá-lo.

Klaus estava inconformado. Depois de ser expulso da família, como dizia a tradição, Klaus teve dificuldade em se estabilizar e finalmente conseguir um lugar para morar. Isso tudo durou quatro meses, e o garoto já possuía 18 anos, quando decidiu tirar satisfações com o seu irmão mais velho.

Apareceu em sua casa, a noite, invadindo pela janela, na surdina. Queria pegá-lo completamente desprevenido e acabou encontrando-o na cozinha, tomando uma água antes de dormir. Klaus se apressou, pegou o seu irmão pelo colarinho, empurrou para a parede dizendo:

— Você trapaceou, seu filho de uma mãe.

Gabriel tentou se safar e os dois começaram uma briga na cozinha. Ouve-se a voz da mulher, perguntando ao seu marido se alguma coisa estava acontecendo, mas Gabriel não respondeu; queria mesmo dar uma surra no seu irmão mais novo que ousou tentar tirar as armas douradas dele.

Uma luta que estava acabando com o lugar, de repente perde todo o seu efeito. Sem qualquer aviso, várias pessoas encapuzadas e vestidas completamente de preto quebram várias janelas da casa de Gabriel, invadindo sem escrúpulos o recinto do mais novo representante Armadouro. Gabriel vira-se para Klaus:

— Você que os trouxe aqui, seu filho da puta!

Não. Não havia sido Klaus, aquilo era uma coincidência.

Vários homens corriam pela casa dele. Ao tentar impedir, Gabriel acaba sendo pego por três dos homens encapuzados, que acabam por fazer o Armadouro desmaiar. Klaus estava pasmo, não sabia o que fazer. Iria tentar reagir, quando ouviu os gritos da sua cunhada, pedindo para pelo amor que poderiam ter para não levarem as armas de ouro.

Klaus virou um bicho. Por estar sem suas armas, lutou como pode contra os homens que estavam levando o símbolo da família Armadouro embora, mas não conseguiu evitar o seu roubo. A mulher de Gabriel também desmaiou e somente o caçula conseguiu sair da casa e seguir os ladrões, antes que estes se perdessem na noite escura.

Com Gabriel e sua mulher desmaiados em casa, Klaus se retirou dali, prometendo a si mesmo que recuperaria as armas de ouro, seja de quem fosse.

Era exatamente por tudo o que havia acontecido, que a família Armadouro odiava Klaus, pois acreditava seriamente que ele havia armado todo o plano para conseguir o símbolo da família. Agora, o caçula lutava para conseguir as armas de volta e poder limpar o seu nome. Conseguir, na verdade, as armas para si.

Klaus saiu de seu apartamento. Estava disposto a conseguir aquelas armas de volta.



Escrito por Antero Filho às 23h59
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