Espaço aberto



Andando na rua hoje eu lembrei de uma coisa um tanto interessante: a primeira vez que eu atravessei a rua sozinho.
"Que besteira, que bobagem", vocês podem dizer, mas é uma passagem interessante

Não consigo me lembrar de quantos anos eu tinha. Eram poucos, certamente, e provavelmente não enchiam os dedos das mãos, mas não posso lhe fornecer o número exato. Foi na época em que eu morava ainda na rua Albuquerque Lins, no prédio Paradises. Meu pai me levou para me ensinar a atravessar a rua. Foi comigo até o cruzamento com a Alameda Barros e me disse:

"- Espere até os faróis para carro ficarem vermelhos, depois que os carros pararem e o farol para pedestres ficar verde, você pode atravessar. Sempre pela faixa de pedestres."

Depois disso, ele me deixou ali sozinho naquela esquina e saiu. Eu fiquei ali, esperando os faróis para carros fecharem e o de pedestres abrir. Estava com medo, obviamente, e olhei para trás para ver se via o meu pai, mas foi em vão. Minha vista já não mais o alcançou. Meu medo aumentou.

Finalmente os faróis ficaram vermelhos e aquele homenzinho ficou verde. Eu atravessei a rua pela faixa de pedestres. Tudo correu bem. Quando me virei para ver o outro lado da rua, meu pai estava na outra esquina, com um sorriso enorme. Aquele sorriso que é o prêmio por um trabalho bem feito.

Querendo ou não eu havia vencido um desafio. E quem poderia dizer que não?



Escrito por Antero Filho às 11h24
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No capítulo anterior. . .

Diego estava agindo realmente muito estranho. Estava sendo caloroso com as pessoas e principalmente não não teve qualquer preconceito quando fora falar com Aboré. Descobriu-se depois que na verdade era a segunda personalidade do ex-presidiário, um homem chamado Thiago. Érik pediu então para examiná-lo. Enquanto isso, o tenente Clóvis prometia para a imprensa que aumentaria o policiamento e que colocaria os bandidos na cadeia. Quando entrou no seu coche, ficou analisando sem parar o cartaz de Romeo, tal era a sua peculiaridade.

 

Músicas do Capítulo:

The Pioneers - Bloc Party

 

J.&.R - Quando a lua se põe

Capítulo vinte e sete: A caminho da confusão

 

 



Escrito por Antero Filho às 13h57
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 — E desde quando você tem essa dupla personalidade? – perguntou Érik

— Eu não sei. Digo, a impressão que eu tenho é que sempre estive ali, como ele sempre esteve ali, mas que nem sempre nós existimos.

Érik olhava bem nos olhos de Thiago e ele parecia estar dizendo a verdade. De uma coisa o cientista não tinha dúvidas: havia realmente duas pessoas, uma completamente diferente da outra, dentro daquele corpo. Ele só não sabia como, por que ou quando havia ocorrido essa separação de personalidade. Tentou considerar a hipótese de que eles já existiam desde a criação da consciência, mas achava isso muito improvável.

E uma coisa era extremamente incomum no caso de Diego, ou no caso, de Thiago. Um tinha a consciência da existência do outro. Normalmente o que ocorria, estudou Érik, era a ignorância da existência de uma outra pessoa, levando os sofredores dessa doença a acharem que são loucos, ou sonâmbulos, não se lembrando de nada do que haviam feito ou falado. Contudo, Thiago parecia inteiramente consciente da existência de Diego, e pelo jeito, de algumas ações também.

Enquanto isso, Bill se encontrava em sua sala pensativo. Diego estava estranho e ele não sabia dizer o que era. Mas ele perguntaria a Érik sobre o ex-presidiário assim que sua consulta terminasse. Será que aquela era surpresa da qual a voz anunciou para ele?

Alguém bate em sua porta e ele manda entrar. Sophia aparece, carregando dois papéis em suas mãos.

— Aconteceu alguma coisa? – ele pergunta

— Eu achei algo que você deveria saber.

Bill fez sinal para que a garota entrasse. Era a segunda vez que aquela garota entrava naquele lugar, mas era a primeira que realmente reparara nele de fato: Uma sala bem confortável na verdade, com algumas estantes de madeira cheia de livros, assim como a parede que era revestida de madeira, também era a mesa de trabalho do chefe dos Missionários. Um grande tapete vermelho, não daqueles que se estendiam às celebridades, mas um quadrado que combinava com o ambiente, além dos dois sofás verdes escuros, um de três e outro de dois lugares. Ela foi caminhando devagar até a mesa de Bill, um pouco tímida, e colocou os dois papéis na frente de seu chefe.

Eram os dois papéis de procurados, de Diego e de Romeo. O chefe abriu bem os olhos e analisou ambas as listas.

— Também tem a de Klaus. – falou Sophia. – Ele vale cinco mil e é acusado de roubar as armas douradas da família Armadouro.

— Aham. – disse Bill, confirmando que ouviu a garota, mas ainda dando mais atenção aos cartazes.

Logicamente dentre os dois cartazes, o que mais chamou a atenção foi o de Diego, por todas as suas peculiaridades.

Daí em diante, nada demais ocorreu. Somente que naquela noite todos foram apresentados a Thiago, a outra personalidade de Diego. Somente Klaus da equipe não sabia, pois era o único que não estava presente naquele prédio.

Constatou-se verdadeiro exatamente aquilo que Érik pensou. Thiago era uma pessoa completamente diferente de Diego, em todos os sentidos. Uma pessoa mais calorosa, receptiva, engraçada e que conseguia falar, conversar, e ser sociável. Até mesmo Aboré havia esquecido do ocorrido na noite anterior e conversou bastante com Thiago, como duas pessoas que se deram bem desde o começo.

Enquanto isso, naquela noite, uma sombra se movia pela rua “Guimarães Délio”, uma rua ao norte de Cidade Doeste que guardava casas de pessoas de classe média. Um sujeito que era barbudo e estava vestido em trapos caminhava tranqüilamente, mas decidido. A rua pouco iluminada não mostrava direito os traços daquela figura que tinha um objetivo obscuro dentro de si.

Ele parou em frente a uma casa, que a princípio não possuía nada de diferente das outras. Olhou bem para os lados e em seguia para toda a casa. Retirou três pequenos objetos iguais de seu bolso e atirou em diferentes pontos daquela casa. Quando eles atingiram alguma parte sólida, começaram a liberar uma pequena fumaça que foi se espalhando até penetrar nos recintos da casa.



Escrito por Antero Filho às 13h52
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Quando a fumaça estava quase se dissipando, o homem pulou o muro da casa e foi invadindo o lugar. Chegou perto da porta da frente e arrombou-a. Foi andando pelo lugar como se já tivesse um objetivo determinado. Alcançou a porta de um dos cômodos e a arrombou. De dentro, saiu um homem avançando para cima do invasor.

— Filho de uma puta!

Mas por causa da fumaça, ele não tinha condições de se movimentar direito, sendo assim ele foi facilmente repelido pelo invasor. O barbudo fez um movimento muito rápido e repentinamente o homem caiu morto no chão, com a garganta cortada na horizontal. A esposa do assassinado deu um grito, fazendo o assassino lembrar-se da pobre mulher. Desesperada, ela começa a gritar:

— Pare! A polícia já está vindo! Você não pode escapar! Me deixa! Me DEIXA!

O assassino avançou contra a moça que, num movimento desesperado, bateu no rosto do homem que tentava mata-la. Nesse momento, ela viu de perto o rosto do criminoso e com um olhar de espanto disse:

— VOCÊ?!

Foi sua última palavra, antes de receber o mesmo corte na garganta que o seu marido e morrer ali mesmo.

Sabendo que a polícia estava mesmo a caminho, o assassino correu para fora da casa rapidamente, pulando novamente o muro da casa. Saiu correndo e já ouvia as sirenes da polícia se aproximando do local. As luzes vermelhas e azuis acabavam com a escuridão natural daquela noite. Alguns policiais desceram dos veículos e correram para o lugar da cena do crime, mas já era tarde. O assassino já havia deixado o lugar havia muito tempo.

Enquanto o homem corria, sem querer esbarrou em um rapaz, com cabelos curtos e negros vestido de um sobretudo azul com cordões dourados. Não pediu desculpas e continuou correndo. O rapaz somente olhou, mas prosseguiu o seu caminho.

Ainda naquela noite, Clóvis estava quase dormindo quando o seu telefone toca. Ele atende e do outro lado da linha está um policial.

— Senhor, ocorreu um assassinato aqui na Guimarães Délio, o candidato a deputado municipal do POS e sua mulher.

— Algum suspeito

— Ainda não senhor. Mandaremos um relatório detalhado amanhã para o departamento.

Clóvis deu um sinal de que havia entendido o recado e depois desligou o seu telefone. Sabia que aquilo era ruim, se fosse um daqueles bandidos grandes que apareciam no cartaz. No dia havia dito que melhoraria o policiamento e que colocaria os criminosos na cadeia. Ele sabia que não iria demorar para que o secretário de segurança do Estado de Doeste ligasse cobrando atitudes dele, principalmente porque aquele era ano de eleições, e a eficiência mostrada teria que ser o dobro dos outros anos.

Quando todos no edifício localizado na rua Galhos Secos já haviam terminado aquela confraternização com o “novo” integrante do grupo, Sophia, enquanto estava quase indo para sua casa, comentou com Romeo, que também abria a porta de seu apartamento

— Poxa, Ro. Agora sim eu acho que já vi de tudo. Um homem desmemoriado, outro com dupla personalidade, um cientista louco.

— Engraçado So. – respondeu ele. – Eu tive uma impressão exatamente contrária.

A garota encarou seu companheiro com uma certa dúvida.

— Eu acho – disse Romeo – que nossa vida está apenas começando.



Escrito por Antero Filho às 13h51
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Eu acabei de ver agora a parte de bônus do Lost, onde tem os comentários dos produtores, diretores e todo esse pessoal que realmente coordena a filmagem de todo seriado e descobri que eu realmente precisaria de uma equipe. Criar uma história sozinho é realmente uma tarefa muito difícil, porque você só tem uma visão de mundo envolvida e isto atrapalha na hora de tentar se expressar com o espectador.

O meu medo, sobre a minha novela de agora, é realmente não conseguir explorar o grande potêncial que ela tem. Em relação à minha primeira, esta história é tão rica na personalidade dos personagens e no passado de cada um que se cria uma variedade enorme de possibilidades. É aquilo de que não se sabe o que pode vir dessa trama, dessa história. Não há apenas um caminho definido, ela é quase completamente imprevisível.

De qualquer maneira, é algo que eu realmente gosto de fazer, e faria uma produção realmente maior se as condições me permitissem, assim como os talentos. Eu acho que "J.&.R - Quando a lua se põe" merecia uma atenção e uma produção muito maior do que a que ela está recebendo.



Escrito por Antero Filho às 22h39
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