No capítulo anterior. . .
Iara e Romeo começaram a invasão mas não acharam o deputado em sua sala. Descobriram que ele se encontrava no outro prédio, e que para alcançá-lo teriam que atravessar o pátio. Iara se surpreende ao ver a sede de ação de seu companheiro, que corria desesperadamente para alcançar seu objetivo. Contudo, Clóvis armou uma armadilha para os dois invasores no pátio e ele os aguarda. Enquanto isso, Aboré descobre que Thiago não sabe atirar com a sniper e que Diego é o dono dessa função, mesmo assim Thiago arriscou-se a atirar, porém isto só serviu para denunciar sua localização. Neste momento, Iara e Romeo estão cercados por quase quarenta policiais. Iara diz ter um plano e começa a exacutá-lo, ela aposta na sede de ação de Romeo e o resultado está para vir.
Músicas do capítulo:
Lights and Sounds - Yellowcard
J.&.R - Quando a lua se põe
Capítulo trinta e um: Balé no pátio
BANG! BANG!
Mais dois policiais caíram no chão e o restante estava perdido. Todos eles esperavam uma reação do inimigo, mas nada tão rápido e repentino como a que eles tinham presenciado. Romeo pulou para o lado onde estavam os dois recém mortos e utilizou-os momentaneamente como estudo para os tiros que acabavam de chegar a ele. Mas o que importava naquela hora era que ele já havia conseguido deixar aquele cerco e estava com maior liberdade para agir.
Escrito por Antero Filho às 22h40
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O pátio era relativamente espaçoso, grande o suficiente para que o rapaz conseguisse realizar suas manobras, ele sabia disso. O missionário foi levando consigo o policial morto para se proteger dos tiros inimigos até conseguir uma distância suficiente para se proteger atrás de canteiros de jardins e árvores que havia ali.
— Equipe 1, 4 e 5. Cuidem do que acabou de escapar! – gritou Clóvis. –Equipe 2, 3 e 6, vocês cuidam do garoto que está parado! Prioridade para captura! Permissão para matar!
O “garoto” a quem Clóvis de referia era Iara, que continuava segurando os dois guardas como escudo humano. E o que ela não esperava era que a atenção de quase todos os guardas ficasse focada nela diretamente. Ela queria que, com Romeo eles se distraíssem tempo o suficiente para que ela pudesse sair daquela situação, mas não foi isso que aconteceu. Por volta de quinze homens estavam com os olhos bem em cima dela.
De repente, sem que ela esperasse, um dos policiais do cerco recebe um tiro na nuca e cai no chão, morto. Naqueles milésimos se segundo de distração do restante, Iara aproveitou. Empurrou um dos homens que estava com ela, mantendo o outro sob seu controle, passando pela pequena brecha que havia se formado. “Maravilha” – pensou ela. – “Tinha esquecido que Thiago e Aboré estavam com nós”.
— MATEI UM! – gritou Thiago. – MATEI UM!
— Beleza! – comemorou Aboré – Como está a situação?
— Parece que eles não estão mais cercados. O Romeo e a Iara estão correndo cada um para um lado.
Aboré sorriu. Um sorriso tanto de alívio quanto de excitação.
Romeo já havia se afastado o suficiente daquele cerco para poder ter espaço para agir. Atirou com uma das armas em direção aos policiais, depois disso, ainda correndo, ele recarregou suas duas pistolas, estando pronto para enfrentar seus inimigos, que eram por volta de treze.
Os policiais da equipe um, quatro e cinco corriam desesperadamente atrás do alvo. Espalharam-se pelos canteiros, indo por caminhos, alguns subindo em cima das plantas e outros procurando em árvores. Apesar da iluminação do lugar ser boa, ainda estava longe de se conseguir total visibilidade.
Romeo saltou, dando dois tiros em um dos policiais que estava procurando nas árvores. A movimentação foi rápida. O cabeludo caiu, protegendo-se dos tiros que vieram em sua direção. Com habilidade, passou para um outro lado do pátio, atirando em mais policiais e logo após correndo para trás de uma árvore. Ele estava sentindo a adrenalina em todo o seu corpo.
Pulou enquanto dava de cara com outro de seus inimigos, acertando-lhe um soco bem no rosto, dando a volta no oponente, parando atrás dele, utilizando-o como escudo humano quando todos os outros policiais atiraram contra Romeo. Só faltavam mais dez.
Iara pouco distante do antigo cerco, atirou contra uma das árvores e logo que o gancho ficou preso, ela mandou recolher a corda, deixando-se levar, ficando mais perto da planta e mais longe de seus inimigos. Aquilo deu-lhe impulso o suficiente para conseguir se movimentar no ar e se esconder pelo canteiro. Todos os homens das equipes dois, três e seis foram atrás dela.
E era isso que ela queria. Movimentos rápidos e imprevistos, um gancho atinge a cabeça de um dos policiais, sendo puxado pela corda para próximo de Iara, que com a outra luva atira em outra árvore, desta vez subindo por ela e trazendo consigo o policial morto. Usa-los como escudo humano era realmente a melhor tática para não ser atingido e era exatamente isso que ela estava fazendo.
Atirou em outra árvore, e os tiros inimigos a acompanhavam, mas nenhum conseguia acerta-la, tanto porque erravam quanto porque acertavam primeiro o policial morto que ela arrastava. E suas movimentações eram formidáveis.
Os policiais tentaram formar um outro cerco na árvore em que ela estava, mas não tiveram tempo suficiente, e logo ela estava atirando em outra e mudando de tronco. Pulou, acertou um policial, enquanto atirava seu gancho da mão esquerda contra um segundo inimigo, eletrocutando, puxando-o para si, atirando com a luva direita em outra árvore voltando para cima. Mais tiros contra ela e todos acertando o recém-eletrocutado.
Escrito por Antero Filho às 22h34
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Iara trocou mais uma vez de árvore, atingindo com o gancho da mão direita mais um inimigo seu, soltando o segundo escudo humano, utilizando o gancho agora livre para matar já seu quatro inimigo e puxar os dois para perto de si, evitando assim mais dos tiros.
Ela parecia saber exatamente o que fazer, quando fazer e como fazer. Era algo impressionante. Clóvis assistia a tudo aquilo atônito. “Aquele garoto é muito perigoso”. – pensou ele, e relacionando ainda com a movimentação das árvores, ele fez uma analogia com o Tarzan, o humano que foi criado na selva por macacos e pulava de árvore em árvore utilizando cipós, cordas vegetais.
Mas Iara não pretendia ficar ali muito tempo. A quantidade de inimigos era grande demais para conseguir sair daquela ilesa. “Seria muita sorte” – pensou ela. Ela pretendia era seguir com o seu plano, que era diferente daquilo que estava fazendo.
Romeo acertou mais um tiro, fazendo restar somente mais sete policiais ali. Todos estavam impressionados com a performance daquele rapaz. Ele não mirava ou planejava, ele simplesmente agia; simplesmente atirava. Antes que qualquer policial pudesse pensar em armar uma estratégia, já se via outro de seus companheiros no chão.
Mais uma vez o missionário se arremessou atrás de uma árvore, evitando ser atingido por qualquer dos ataques inimigos. Ele sentia quando os ataques viriam e sentia a hora de se esquivar, e era exatamente por todas essas sensações que ele adorava o que estava fazendo.
Romeo virou, atirou e mais um no chão. Afastou-se rapidamente daquele pequeno grupo de seis policiais correndo desesperadamente e os tiros o acompanhavam pelo caminho que ele ia fazendo. Ele correu, correu, até que sentiu.
Um tiro o acertou no ombro e a força acabou por lança-lo para trás, fazendo-o cair de costas no chão. A dor não demorou a chegar e o sangue começou a sair do seu lado esquerdo. Os policiais se animaram e correram para o lugar onde abateram o alvo. Clóvis sorriu no canto da boca.
— Romeo foi atingido. – disse Thiago
— O que?! – exclamou Aboré. – Ele morreu?!
— Parece que não. – o negro já respirou aliviado – Mas ainda não se levantou.
Todos os oficiais estavam correndo, armados e prontos para qualquer coisa que pudesse sair dali, ou pelo menos achavam que estavam. Mesmo achando que aquilo pudesse ser impossível, eles viram Romeo se levantar e atirar duas vezes antes que eles pudessem chegar. E como os ataques do missionário pareciam ser infalíveis, mais dois policiais caíram sem vida no chão. Desta vez, os oficiais não perderam tempo e começaram a decarregar os armamentos no alvo, mas desta vez nada o atingiu, já que ele agiu muito mais rápido para se defender.
— E Iara? Como ela está? – perguntou Aboré.
— Eu não sei. – respondeu o loiro. - Não a vejo em lugar nenhum.
— Como assim?
— Eu não a vejo em lugar nenhum. Aliás, vejo que alguns guardas que estavam atrás dela estão correndo na direção de Romeo.
— O quê?!
Aquilo era extremamente ruim. Romeo, depois que levara o tiro no ombro, já não era mais o mesmo. Ainda que ele pudesse impressionar a todos os presentes por sua performance, não chegava perto da sua atuação enquanto estava em perfeitas condições.
Os soldados que estavam atrás de Iara simplesmente a perderam. Como ela conseguira desaparecer dos olhos deles sem deixar rastros? Ninguém sabia. Ao virem que o outro bandido havia levado um tiro, alguns daquelas equipes começaram a retornar para ajudar seus companheiros, que apesar de terem seu inimigo ferido eles estavam tendo muitas dificuldades.
Escrito por Antero Filho às 22h33
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Romeo virou-se incrivelmente rápido e atingiu mais um policial, fazendo sobrar somente mais um daquelas equipes que foram atrás dele. Este último estava assustado. Ele acabara de ver todos os seus companheiros serem mortos por apenas um homem, e aquilo era mais do que o suficiente para assustar-se. Mas o que ele não sabia é que Romeo começara a ficar cansado e já arfava. Fazer os mesmos movimentos que fazia antes já não era a mesma coisa. Apesar disso, ele estava relativamente tranqüilo.
Tranqüilo até perceber que mais policiais estavam chegando para pegá-lo. Aquilo tirou um pouco da energia que ainda lhe restava. Onde estava Iara nessas horas? Ele precisava dela. Estava um pouco zonzo, mas não perdeu as esperanças, podia agüentar.
Ele recarregou mais uma vez, e pela última, pois não possuía mais balas. Saiu rapidamente de seu esconderijo, atirando. Os ataques acertaram seus alvos, mas nem todos eles. Toda aquela sensação, toda aquela sede por ação havia se esvaído, como o sangue que saía de seu ombro.
Mas todos ali presentes não conseguiam deixar de se impressionar com as habilidades daquele garoto. Mesmo atingido no ombro, ele conseguia fazer milagres. Corria, esquivava-se, protegia-se atrás de árvores e atirava cada vez mais e matava cada vez mais. Do grupo que havia se separado para pega-lo, somente um havia sobrado, sendo que juntou-se com ele o outro um do primeiro grupo.
Romeo estava ainda confiante. Poderia acabar com aquilo e sair vivo. Corria e mexia rapidamente sua arma, de uma maneira que nunca vira ninguém mais fazer. Mas aquele era o limite do milagre que ele poderia fazer.
Sem poder reagir, recebeu um tiro na perna direita e desabou. Clóvis deu mais um sorriso. Fumaça saía de sua arma. Ele havia se cansado de assistir a seus homens morrerem nas mãos daquele desgraçado e com certeza não o perdoaria. Havia cumprido com o seu trabalho.
Romeo sentiu a dor invadir-lhe e agora ele não conseguiria mais nada. Sangue escorria da sua perna, que ele sentia queimar, queimar demais. Tentara se levantar, mas era inútil.
— Romeo foi atingido de novo. – disse Thiago
— O quê?! – exclamou Aboré. – Como ele está?
— Vivo, eu acho, mas muito mal. Parece que o tenente está se aproximando dele.
— Então o que você está esperando?! – desesperou-se Aboré. – Atire nele!
— Não posso, acabaram as balas! – reclamou Thiago
Parecia que aquele era realmente o fim de Romeo, não pelas balas que o atingiram, mas porque não conseguiria mais escapar de seus inimigos. Várias coisas passaram pela cabeça dele: o dia em que ele conheceu a velha de Novos Ventos, o dia que encontrou Sophia, Julieta, quando entrou nos missionários, Klaus, o vazio no seu coração, as duas missões, o vazio em seu coração, o vazio em seu coração. AQUELE VAZIO, AQUELA SENSAÇÃO DE QUE ESPERAVA POR ALGUÉM! A SENSAÇÃO DE QUE NÃO PODERIA MORRER AGORA! Ele queria gritar, mas não conseguiu.
Clóvis chegou bem perto de seu bandido, caído no chão e sangrando. Olhou nos olhos e viu a determinação e a coragem de um leão. Assustou-se a princípio, mas lembrou-se que ele nada poderia fazer. Chegou bem próximo, chutou o boné para longe e reconheceu Romeo como sendo o homem procurado por nenhum crime na sua foto. “Então você é o estranho procurado sem crimes na ficha.” – pensou ele. – “Parece que foi mesmo um erro de impressão.”
— SE AFASTE DELE! – gritou Iara.
Clóvis se virou e ao vê-la o terror, que parecia quilômetros distante, o tomou em poucos milésimos de segundo.
Escrito por Antero Filho às 22h32
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