— O Andarilho foi encontrado na área leste, senhor, está sendo encurralado perto da praça Marechal Jeremias.
Romeo parou. Agora que ele parara para pensar. Se o homem que o ameaçou fosse mesmo encontrar com ele para buscar o deputado as três da manhã, como ele poderia ter sido encontrado na parte leste da cidade? Se as duas informações fossem mesmo corretas, então deve ter havido um equívoco. O homem que o ameaçou antes não era o Andarilho. Klaus, Iara e Aboré estavam correndo atrás da pessoa errada.
— Não resista, e as coisas vão ficar mais fáceis para você. – gritou Clóvis, tirando Romeo de seus pensamentos.
“Nem a pau”.
Romeo pulou para o lado, sacando suas armas e atirando no policial. Este por sua vez, de susto, também pulou, não sendo atingido pelas balas inimigas. Rapidamente os dois se esconderam atrás de uma proteção qualquer.
— Por que resiste Romeo?! – gritou o tenente – Se você se entregar sua pena será menor!
— Não fala besteiras tenente! – gritou Romeo de volta – Acha mesmo que eu vou me entregar?!
— Onde está o deputado?! Entregue o deputado! Senão eu mesmo vou pegar!
Uma risada veio do fundo do Armazém.
— Parece que todos nós temos interesse no deputado, não é?
Clóvis gelou. Aquela não era a voz, muito menos uma risada que vinha de Romeo. Com certeza havia uma terceira pessoa ali.
Logo após a fala, várias bolas caem no chão, quicando até pararem completamente. Um terrível gás azul começa a sair. Rapidamente, Clóvis tampa o seu nariz com o braço, esperando a farda pudesse lhe proporcionar alguma proteção, mas foi em vão, o gás começou a entrar lentamente pelos seus pulmões e fazer efeito.
Seu corpo foi ficando pesado e a sensação era de que estava perdendo completamente toda a sua consciência. Mas antes que pudesse cair no chão sem forças, ele ainda ouviu um grito de Romeo.
— Você não vai me pegar de novo, seu filho da puta!
Dois tiros sem direção foram disparados. O Andarilho não estava na parte leste, não estava perto da praça Marechal Jeremias. Ele estava ali, mas era tarde demais. O tenente não tinha mais capacidade de comunicar seus homens.
Enquanto isso, perto da praça onde tinha indicado o soldado, havia três policiais caídos inconscientes no chão. Klaus segurava um rádio consigo e corria na direção da praça, sem nem ao menos avisar os seus outros dois companheiros do que acabara de descobrir.
Foi chegando cada vez mais perto da praça. Cada vez mais ansioso e extasiado, ele não via a hora de derrotar Andarilho, e conseguir provar, principalmente para si mesmo, que era melhor do que Romeo.
Entrou quieto na Marechal Jeremias, andando vagarosamente, até encontrar o seu alvo. Ao longe, ele percebia a movimentação dos policiais, cercando o local, prontos para dar voz de prisão a um dos criminosos mais procurados da cidade.
Foi caminhando, decidido, cada vez mais, até que finalmente achou: o homem barbado, bravo vestido em maus trapos. Exatamente como havia visto na foto de procurado.
Finalmente era chegada a hora.
Escrito por Antero Filho às 11h26
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