CAPÍTULO 46 POSTADOOOO!!!
APROVEITA AE
Escrito por Antero Filho às 13h24
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No capítulo anterior. . .
Romeo acabou desmaiando de tanto cansaço sentido. Depois de descansar em seu apartamento, foi acordado por Bill, que brigou com ele por causa de suas atitudes. Contudo, o que mais lhe preocupava era a atitude que Sophia havia tomado logo após a sua chegada. Depois de refletir, decidiu falar com ela e expôs tudo o que pensava. Saiu pensando que ela não se abalara com suas palavras, mas acontecera justamente o contrário. Enquanto isso, Bill mandava Iara para Cidade Delsul, para trazer Diego de volta.
Músicas do capítulo:
Alive - Pearl Jeam
J.&.R - Quando a lua se põe
Capítulo quarenta e seis: O dia seguinte
Escrito por Antero Filho às 13h21
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Aboré estava na padaria, num lugar no meio de Cidade Doeste. Tomava café sozinho, pensando exatamente na situação de Bill e na história que tinha acontecido sobre o caso do deputado. Já fazia mais de um dia que tudo aquilo havia acontecido, e o jornal Atual trazia, em primeira mão, toda a investigação completa do caso. As suspeitas, o ocorrido, o plano, o julgamento de Resende, entre várias outras coisas.
Seu pensamento estava vago, na realidade. Olhava para a xícara de café que tomava e pensava em seu irmão. Pensava em seu passado. De repente, uma mulher negra sentou-se ao seu lado, mas Aboré não viu. Ainda divagando sobre a vida, ele olhou para ela e se assustou. Ao perceber quem era, seu coração saltou:
Escrito por Antero Filho às 13h15
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— Vânia!? O que você faz aqui?!
— Preciso cuidar de umas coisas. – a moça respondeu, com uma voz decidida.
— Como vão as coisas lá? Como vai todo mundo?
— E desde quando um cão do exército como você se preocupa com a gente?
Aboré fechou a cara. Voltou seu olhar para a xícara de café, depois virou-se para a tal Vânia. Ela era muito bonita. A pele escura, os cabelos longos e ondulados, olhos negros e um nariz um pouco grande. Estava vestindo uma blusa branca básica e um shortinho jeans. Ela o encarou de volta e ele respondeu:
— Não estou mais no exército. Saí de lá.
— Então por que não voltou? Por que não foi para Caratoa nos ajudar?
— Porque a causa de vocês é infantil. Não é desse jeito que as coisas devem ser.
— Então você acha que devemos aceitar os cus de ouro nos dominarem? É isso?
— Não! – respondeu ele. – Mas o que vocês querem também é irracional.
A moça não respondeu de prontidão. Ela olhou para Aboré com uma expressão de desprezo e finalizou:
— Alexandre deve sentir nojo de você.
Aboré se irritou, bateu com força no balcão e virou-se para a mulher com olhos ameaçadores. Com certeza, se a pessoa ao seu lado não fosse uma mulher, ele já teria erguido-a pelo pescoço.
— Não fale o que você não sabe do meu irmão.
Ela ficou um tempo quieta, e por menos que parecesse, ela estava com medo do homem a sua frente.
— Então volte. Você sabe o que Alexandre gostaria que fizesse. Sabe como ele se sentiria se nos ajudasse.
— Você não sabe o que ele gostaria que eu fizesse ou não! – respondeu Aboré, irritado. - Pare de dizer o nome dele em vão!
Vânia ficou calada. Pressentia que estava abusando da paciência daquele homem. Ela havia tocado no seu ponto fraco e tanto sabia disso que havia feito de propósito. Mas aquilo já fora suficiente. Ela não deveria mais mexer com ele.
— Bom. Eu vou precisar ficar aqui por uma semana, depois vou voltar para Caratoa. Se mudar de idéia, me procure. Estarei no hotel Madame Bonfá.
E dizendo essas palavras, ela se retirou do lugar, deixando o missionário sozinho.
Aboré ficou refletindo por um bom tempo ali. Seus pensamentos vagavam em Alexandre, seu irmão mais velho, assassinado por um soldado do exército já há alguns anos. Caratoa, a cidade onde nasceu e viveu sua infância, no estado de Delleste. A luta, a revolução daquele estado inteiro.
Aquilo era loucura. Aquilo tudo era loucura.
Escrito por Antero Filho às 13h15
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Sophia lia entretida o seu jornal Atual. Ela trazia a matéria com a história do seqüestro dos três. Uma fotografia do tenente prendendo o candidato Hélio Resende, com a manchete “Ele finalmente acerta!”, ocupava parte considerável na página com a sua entrevista. Nela, Clóvis explicava todo o trama, no que consistiu a investigação da polícia no caso e sua participação. Quando a jornalista do caso, Aline Roberts, pergunta ao Clóvis sobre o criminoso Romeo Rayes, a resposta do oficial foi simples e objetiva: “Ele é um bandido como qualquer outro e sofrerá as conseqüências da lei”.
Apesar da resposta, o jornal, em outra parte de toda a reportagem, contava parte da história do famoso criminoso, cuja cabeça valia trinta mil reais, culpado pelo assassinato de mais de quarenta policiais e responsável pelo seqüestro do deputado Dario Coelho. Dizia, na matéria, que ele havia perdido completamente sua memória, e não conseguia se lembrar de nada de antes de um mês. Ela descrevia Romeo de uma certa maneira, que sob um olhar mais critico, pareceria até uma exaltação da pessoa dele.
Porque, além de tudo, a polícia havia recebido uma denúncia anônima sobre o paradeiro do deputado e o encontraram em uma casa perto da ponte Carlos Dias, bairro de classe pobre na cidade de Doeste. Quando Sophia leu esta parte, ela sorriu. Havia sido ela, com autorização de Bill, que sugeriu e realizou a ligação, devolvendo o deputado, já que não havia mais necessidade de mantê-lo preso.
Em resumo, a matéria contava a história do plano político, exaltava a rápida e eficiente atuação da polícia no caso, comentava da participação considerável do bandido batizado como Romeo Rayes (Aline havia desistido de Romeo Dallas; achara Romeo Rayes mais sonoro), e condenava a atitude do candidato, que teria seu julgamento marcado em breve.
Clóvis jogou seu jornal na mesa da sua sala. Sentia, ao mesmo tempo, raiva e satisfação pela matéria. A princípio raiva, porque a jornalista colocara Romeo como um anti-herói, e não como um bandido, como ele quisera deixar claro na entrevista, o que fazia muita diferença, mesmo que não parecesse a primeira vista.
Mas a satisfação era maior. Por causa da matéria, a sua imagem, que havia sido severamente criticada nas últimas semanas, finalmente estava sendo melhorada frente a todos. O deputado havia sido resgatado, o plano descoberto e a polícia eficiente. A corda envolta do seu pescoço havia sido retirada e ele poderia respirar depois de muito tempo sem ar.
Um dos funcionários da delegacia entrou na sala dele, carregando um papel.
— Tenente? –chamou ele - O secretário de segurança mandou suas congratulações pelo caso. Agora, o promotor deve entrar logo em ação.
Clóvis sorriu e descansou na sua cadeira olhando para cima. Finalmente podia respirar.
Enquanto isso, Aline recebia, dentro da redação, o aviso de sua nova promoção a jornalista investigativa, graças a sua matéria exclusiva que bateu vários recordes de vendas, batendo as dos outros jornais daquele dia de uma maneira esmagadora.
Seus colegas de trabalho comemoraram e fizeram um pequeno dia de folga, saindo mais cedo do trabalho, combinando de sair para qualquer lugar naquela ocasião especial.
Uma alegria merecida. Aline havia passado por tudo aquilo dentro do seqüestro, e depois daquilo ela teve determinação de escrever todo o caso, para que ele saísse nos jornais o mais cedo possível, varando a noite mais cansativa de sua vida.
Valeu a pena!
— Você acha que valeu a pena? – perguntou Sophia, na sala de Bill, depois de ficar alguns minutos quieta.
— Perdão? – perguntou o velho, pedindo para que ela falasse novamente.
Escrito por Antero Filho às 13h14
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— Você acha que valeu a pena? Seqüestrar o deputado, gastar tanto tempo e dedicação, arriscar a vida de várias pessoas, matar outras...Eu tenho a sensação de que tudo isso...Não serviu para nada.
Bill deu de ombros, a princípio. Voltou a ler a matéria do jornal que Sophia havia entregado para ele. Depois de alguns segundos, ele voltou-se para a menina e respondeu:
— Já disse uma vez um poeta português: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. O que eu posso falar, Sophia, é que depois de tudo isso nós fomos o que menos ganhamos com a história. Perdemos coisas, tivemos gastos, nos colocamos em perigo e não fomos recompensados devidamente. Não recebemos nada para fazer isso. Se você pensar no sentido moral da história, foi graças a nós que se descobriu tudo, e as coisas puderam voltar aos eixos.
Sophia olhava para Bill, ouvindo-o atentamente. O velho major deu uma pequena pausa de depois continuou.
— O que você tem que ter em mente é que não devemos medir esforços. Se não conseguimos desta vez, conseguiremos na próxima. Não podemos desanimar e desistir por causa de algo que não deu certo.
Mais um momento de pausa.
— Estou mais preocupado com outra coisa. – comentou Bill. – Preciso encontrar duas moças, as últimas que faltam para se juntar a nossa equipe, mas estou sem ninguém para fazer o serviço. Somente Aboré está disponível, mas apesar de confiar inteiramente nele, eu não gostaria de envia-lo sozinho nesta missão.
Sophia ficou olhando para ele com muitas dúvidas na cabeça. Pensou prontamente em Romeo para ajudar Aboré, mas tinha dó porque ele acabara de sair de uma missão e não queria que ele saísse em outra em tão pouco tempo. Ela sentia agonia e ansiedade sempre que Romeo saía em alguma missão.
— Por isso Sophia, estou pensando seriamente. – continuou Bill. – Eu acho que com o Aboré eu vou ter que mandar alguém que eu não queria mandar.
A garota não parava de pensar em Romeo. Torcia para que o velho não chamasse ele. Coitado dele, havia acabado de sair de uma missão daquelas. Estava estranha.
— Sophia. Vou pedir que acompanhe Aboré nesta viagem.
Surpresa!
— Hãn? E Romeo. – perguntou ela por instinto.
Bill deu um sorriso perigoso.
Escrito por Antero Filho às 13h14
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— Mesmo descobrindo todo o caso, Romeo agiu fora de minhas ordens, me escondeu informações e agiu por conta própria. Por causa de tudo isso não fomos recompensados pelo nosso trabalho. Exatamente por causa disso que eu preparei uma missão especial, tanto para ele, quanto para Klaus.
Uma missão especial.
Romeo entrou na sala de Érik. Ele havia lido a manchete do jornal e estava um pouco transtornado ainda com toda aquela história. Sophia, Bill, Andarilho, ele mesmo. Sentia aquilo tudo embolar o seu estômago.
Mas entrava na sala do cientista por outra causa: as suas armas. Mesmo que tivesse sido por bem, e que ele dera graças na hora, sua arma falhou pela segunda vez desde que se recordara. Levou os brinquedos para que ele analisasse e quando entrou se deparou com Klaus deitado e respirando dentro de um saco, que Érik segurava próximo a boca dele.
O cientista parecia extremamente cansado, possuía olheiras e seus olhos estavam vermelhos. Ele demorou um pouco para ver que o cabeludo estava parado frente a sua porta.
— Ah. Pode entrar. O que houve?
— As armas. – disse ele. – Elas falharam de novo.
— Eu vejo isso depois.
— O que aconteceu?
— AH, isso? Ele respirou um gás naquela madrugada. Esse gás, entra nos pulmões, como todo gás que respira, é óbvio, mas, você entende, ele circula pela, pelo, pelo corpo e quando chega nos músculos ele os endurece e prejudica a comunicação com o cérebro, sabe, a, a, ordem de movimento do cérebro não chega. Ele fica paralisado. Acontece que se essa coisa continua mais tempo aí dentro vai fudê com ele. Ele pode perder essa comunicação permanentemente.
Romeo olhava para Klaus. Não sentia pena nenhuma dele. Mas, só para ninguém dizer que ele foi insensível, voltou a perguntar:
— E o que você está fazendo? Ele vai ficar bom?
— Bom, quando trouxeram ele pra cá não me disseram nada, tive que pesquisar sozinho o que era e achar rápido a solução. Um pouco apressado consegui esse pequeno pó que neutraliza a ação do gás lá. Mas tem que ser feito aos poucos, pode ser danoso pra ele. Ele tem que ter doses a cada três horas, isso ta me matando. Ele vai ficar bom, bem, na verdade eu espero, em dois dias.
Romeo balançou a cabeça vagarosamente, como se tivesse compreendido toda a gravidade da situação. No fim, ele deixou as armas ali perto, onde Érik pudesse ver depois, e pediu:
— Lembra quando você me disse que poderia da uma evoluída nela? Eu queria muito que você fizesse isso.
Érik sorriu, mesmo com a sua expressão de alguém que dormiu pouco e comeu pouco recentemente, em um sorriso até quase cadavérico.
— Elas serão as melhores.
Romeo sentiu até um arrepio com aquela afirmação, e uma gota daquela sensação percorreu-lhe o corpo.
Naquele mesmo instante, um trem acabava de chegar na estação principal de Cidade Delsul.
Escrito por Antero Filho às 13h13
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