No capítulo anterior. . .
Aboré e Sophia saíram e entraram no trem que leva até Cidade Delleste. O negão disse que ela que a viagem duraria quase quatro dias e a pobre criança já desanimou. Enquanto isso, Bill explicava a nova missão que Klaus e Romeo teriam que enfrentar e sabia o quão difícil seria para os dois, tanto porque teriam que cooperar um com o outro como porque era um tipo de missão que não batia com a personalidade deles. Além disso, Romeo estava sem as duas armas, porque Éric começara a mexer com elas, e por isso teria que usar apenas uma pistola, que Bill lhe emprestrou para a missão. A missão dos dois já estava para começar. E enquanto isso, Aboré pretendia contar para Sophia a verdadeira história da guerra civil de Cidade Delleste.
Sem músicas neste capítulo
J.&.R - Quando a lua se põe
Capítulo cinqüenta e um: Carolina e a surpresa de Romeo
Escrito por Antero Filho às 23h34
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Cidade Doeste, Silbra, 16 de 1800 do ano cerimonial. Estação de trem de Cidade Doeste. 21h22min.
Um tumulto grande com o trem que chegava de Cidade Docentro. Pessoas agitadas, vestidas de maneiras diferentes, de estilos diversos, saíam e corriam pelo lugar.
Entre essas pessoas, estava Carolina Sanchez. Uma calça preta com uma blusa da mesma cor, ela acabava de retirar seus óculos escuros com a mão esquerda, enquanto que na direita ela carregava uma mala. Andava determinada em direção a saída da estação. Tinha algo que precisava cumprir.
A noite estava agradável. A brisa soprava levemente e anunciava que logo acabaria o verão para a chegada do outono. Os cabelos cumpridos da mulher balançavam, mas nem mesmo aquela noite agradável tirava de sua cabeça o seu objetivo. Que era maior do que parecia a primeira vista.
Ela guardou seus óculos no vão do decote e parou por algum momento. Seus ouvidos ficaram mais atentos e seus olhos pareciam procurar alguma coisa noite adentro, mas ela não fez nenhum movimento brusco. Prosseguiu seu caminho por uma rua mais tranqüila, já distante da estação ferroviária.
Repentinamente, ela saca uma pistola com a mão direita e dá um tiro na diagonal direita e outro pela esquerda. Um barulho quebra o silencio da noite
— SAIAM! Sei que estão aí!
Uma sombra avança contra Carolina, que se protege com o braço esquerdo; a mala saiu voando. Ela cai de costas e um corpo sobre ela. A arma engatilhada na face do agressor! Seus cabelos cumpridos, olhos de caçador.
— PAREM! – uma voz masculina
Klaus veio andando, ainda atordoado com o que acabara de acontecer. Romeo estava em cima de Carolina com o braço direito levantado, pronto para ataca-la, e ela com a arma apontada para o seu nariz.
— Mande seu amigo sair ou eu vou explodir os miolos dele! – gritou Carolina
— Atire! – respondeu Klaus – E faça esse favor para a humanidade.
Escrito por Antero Filho às 07h53
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Todos ficaram quietos. Alguns segundos de tensão e silencio.
— Carolina. – recomeçou Klaus, que realmente não esperava por tudo aquilo. – Carolina Sanchez.
Ela não tirou os olhos de Romeo e este permaneceu do mesmo jeito.
— Estamos aqui por ordens de Bill. Viemos protege-la.
— Bill? Você disse Bill?
Quando ela escutou este nome, tudo pareceu se acalmar. Sentindo que a situação estava melhor, Romeo saiu de cima da mulher e se colocou em pé. Carolina, por sua vez, levantou-se, mas ainda não havia relaxado. Foi na direção de sua mala e a pegou.
Enquanto isso, o cabeludo foi para um outro canto, pegar a arma que Bill havia lhe emprestado e que voara quando a mulher que tinha que proteger atirara em sua mão. Ele não esperava aquele tipo de atitude dela e se assustara quando aconteceu. De fato, o pulo que deu sobre ela fora tão automático, que só percebera o que fizeram quando o cano da pistola estava a poucos milímetros de seu nariz.
— Vocês não sabem seguir uma pessoa. Senti a presença de vocês desde estação ferroviária. Depois da gravidade da situação, são pessoas desse nível que o velho me manda?
Como que atingidos por um raio no coração do orgulho, tanto Romeo quanto Klaus olharam feio para ela e a vontade mútua foi de mata-la ali mesmo. Contudo tanto um quanto o outro se lembraram da missão passada e da atitude do chefe e resolveram se segurarem um pouco.
— Se bem que, o seu rosto não me é estranho. – disse a mulher, olhando fixamente para Romeo.
E aquilo o chocou.
Ela ficou encarando por algum momento e Romeo sentiu-se estranho. Não sabia se era porque desde que se lembrava nenhuma pessoa o havia reconhecido e ele ansiava por aquilo mais do que nunca. Naquele momento Carolina parecia tê-lo reconhecido em algum lugar, mas não se lembrava de onde. Que ódio!
— Qual é o seu nome?
— Romeo. – respondeu o missionário de prontidão.
— Romeo? – Carolina se perguntou para si mesma, ainda olhando para o cabeludo, como se buscasse bem no fundo de sua memória aquele rosto e aquele nome.
Klaus, que ficara quieto enquanto ela tentava se lembrar de seu rival, estava com pressa para que tudo aquilo acabasse logo.
— Escuta, nós não temos muito tempo. Estamos no meio de uma missão e precisamos te proteger de qualquer coisa que seja até você ir embora. Portanto, faça o que você tiver que fazer. . .
Escrito por Antero Filho às 07h53
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— Klaus! – gritou Romeo. – Não interrompa! Ela está quase lembrando de algo importante.
— Romeo, ela provavelmente te conhece dos. . . Porra, você sabe da onde. . .
— Não interessa! Eu quero que ela fale!
— Nós precisamos terminar essa missão! Não temos tempo para. . .
— Romeo. Que perdeu a memória, não é? – interrompeu Carolina
Os dois ficaram em silêncio, e então Romeo entendeu. Ela com certeza vira a reportagem sobre sua atuação no caso dos candidatos a deputado. Seria isso, ela não conhecia ele de antes do dia em que “nasceu”. Ele tinha que desistir logo daquela esperança estúpida e se conformar que ninguém sabia da sua existência.
Carolina, por sua vez, arrumou sua roupa, ajeitou a mala na sua mão e começou a andar. Klaus e Romeo se entreolharam e depois voltaram sua atenção à mulher, novamente.
Ela virou-se para o cabeludo e disse:
— Eu posso te ajudar. Mas primeiro, preciso de ajuda. Vamos terminar logo o que eu tenho que fazer aqui e depois eu te conto uma parte da sua história.
O coração dele disparou! Ela disse que sabia de alguma coisa. Romeo quase não acreditou no que ouviu.
— E o que você precisa fazer? – perguntou ele
— Isso eu já não posso contar. Mas vocês vão me ajudar, porque é extremamente importante.
Ele não conseguia nem pensar direito. Simplesmente concordou e quando os três prosseguiam o caminho, agora perto de Carolina, o cabeludo já não estava mais com sua cabeça naquele lugar.
No que exatamente aquela mulher poderia ter interferido na vida dele? Como aquela mulher poderia tê-lo conhecido? Romeo começava a imaginar inúmeras possibilidades e histórias para que aquela mulher fizesse parte da sua vida.
Será que ela era capaz de responder quem ele era?
Do outro lado, porém, estava Klaus, completamente concentrado na missão, e exatamente aquela tensão que Bill previu que ele viveria estava acontecendo. O Armadouro, assim como Romeo, era uma pessoa que detestava esperar por um ataque. Era algo que o cansava muito mentalmente.
E parecia que o tempo não passava. Quanto mais andavam, mais atento a tudo ele ficava, prestando atenção aos sons, aos movimentos de qualquer coisa, a qualquer ameaça eminente. Uma ameaça que poderia nunca chegar, ou que poderia chegar a qualquer momento. O tempo não passava. O tempo simplesmente não passava.
— Relaxe um pouco, rapaz! Você parece um pouco tenso demais.
Escrito por Antero Filho às 07h52
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Klaus olhou para Carolina, que havia acabado de dizer aquilo. Realmente ele estava muito tenso e não conseguia agira daquela maneira. Tentou relaxar, colocar a mente no lugar.
Enquanto que Romeo estava com os pensamentos em um posto muito distante. Extremamente distante.
Tão distante que não percebeu.
O ataque!
Um chicote dá três voltas em seu pescoço! Carolina virou-se rapidamente, mas não conseguiu evitar que Romeo fosse puxado para trás pela arma. Mesmo assim, tanto ela como Klaus sacaram suas pistolas e atiraram na direção de onde vinha o ataque.Mas antes que pudessem saber se atingiram alguma coisa, veio mais um ataque de surpresa! Uma marreta acertando o chão com tamanha força no lugar onde, há poucos segundos, estavam os dois.
Aquilo havia acabado de separar os dois. “Kalangus” Klaus pensou instantes depois, e sabia que não seria somente o chicote e a marreta, mas que também Cláudio estaria envolvido naquilo. E não demorou muito para saber que estava certo.
Ao escapar do ataque de Crunch, uma shotgun estava apontada para a sua cabeça. Fumando e usando a sua roupa social, Cláudio disse tranqüilamente.
— Não se mexa rapaz. Este brinquedinho aqui faz muito estrago.
Carolina se virou e atirou na direção de Cláudio, que desviou por pouco do tiro certeiro em sua testa e depois foi a vez de Carolina ter sua vida por um triz, quando sentiu o tiro de outra arma passar muito perto do seu rosto. Era Julieta que continuava apontando sua arma para ela.
Sabia que sua vida corria perigo e não pensou duas vezes em fugir daquele lugar. Não tinha como, sozinha, enfrentar quatro pessoas armadas. Em segundos, Carolina Sanchez já corria por dentro das ruas, tentando evitar ser morta a todo custo.
Romeo percebeu o que estava acontecendo e não podia ficar parado. Justo a única que diz reconhece-lo depois de tanto tempo estava sendo perseguida?
Motivado então por uma força que até ele desconhecia, o cabeludo puxou com força o chicote de Lagarto para si, trazendo-o para perto, tentando retirar o chicote do seu pescoço, mas estava muito difícil. O kalangu acertou um soco e uma cotovelada no rosto de Romeo, que cabeceou o nariz de seu inimigo, fazendo-o se desnortear a ponto de conseguir sair de suas garras.
Carolina corria, enquanto que Julieta ia atrás, não deixando que o alvo escapasse. A loira corria e não havia nenhuma hesitação em suas atitudes, mas não conseguia ficar na mesma reta que Carolina tempo o suficiente para acertar algum tiro.
Depois de algumas voltas em casas que havia perto, ela sente o chute repentino. Era Carolina que revidara a agressão de poucos instantes antes. Julieta atirou, mas não acertou. Levantou-se e foi para cima, enquanto que Carolina fazia o mesmo. Julieta virou-se no momento certo e acertou um golpe repentino na rival, deixando-a sem equilibro, dando a ela tempo suficiente para atirar.
Mas de repente, Romeo entrou na sua linha de mira.
E o dedo dela hesitou.
Escrito por Antero Filho às 07h51
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