No capítulo anterior. . .
Carolina saiu da estação de trem, carregando uma mala. Enquanto andava, percebeu a presença de duas pessoas e atacou. Eram Klaus e Romeo, que tinha a missão de protege-la. Quando tudo ficou esclarecido, Carolina pareceu reconhecer Romeo, mas não sabia de onde. Prometeu contar depois que os dois ajudassem a resolver a missão dela. Logo os dois concordaram e foram com ela. Contudo, depois de um ataque surpresa e de uma confusao armada pelo grupo kalangus, Julieta parecia ter o controle da situação quanto apontou a arma para Carolina, querendo matá-la. Momentos antes, porém, Romeo entrou na linha de tiro e Julieta não atirou.
Músicas do Capítulo:
Lights and Sounds - Yellowcard
J.&.R - Quando a lua se põe
Capítulo cinqüenta e dois: A batalha para defender Carolina
Escrito por Antero Filho às 21h58
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A noite estava escura e a situação era de muita agitação. O lugar era vazio, continha várias casas e corredores entre elas, de mais ou menos dois metros de largura. Em um deles, havia três pessoas: duas mulheres e um homem.
Julieta apontava a arma.
E o dedo dela hesitou.
Romeo a encarava com aqueles olhos determinados, impressionantes, invencíveis. Olhos pelos quais ela se apaixonara. Já desistira. Sabia que não podia mata-lo, seja em que circunstância fosse.
Ela então movimentou a arma para os lugares onde o corpo de Romeo não cobria, como se tentasse achar uma brecha, mas qualquer lugar que ela colocasse a arma, o missionário entrava na linha de tiro.
— Ro, por favor, eu não quero atirar em você. Saia da frente.
— Eu não vou deixar você atirar. Essa mulher não pode morrer.
Julieta olhava para ele com os olhos baixos. Seu coração estava apertado. Se fosse qualquer outra pessoa, era simplesmente atirar em um e depois no outro, que tudo acabaria. Mas o dedo indicador dela simplesmente não se movia.
Percebendo que Julieta não iria atirar em Romeo, Carolina puxou sua arma para atirar, mas a loira percebeu o movimento e se jogou para um dos lados. Carolina não atirou e fugiu para o caminho oposto.
Escrito por Antero Filho às 21h47
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De repente, um movimento estranho. Uma sombra passa por Julieta e lança seu chicote no pescoço de Romeo novamente. Este, como já havia levado o mesmo golpe antes, agarrou o chicote e puxou-o para si.
Lagarto aproveitou o impulso e acertou um chute no rosto de Romeo, derrubando-o. Caramba! O filha da puta era rápido!
Caído de costas no chão e ainda tentando entender o que estava acontecendo, Romeo estava completamente indefeso e nas mãos de Lagarto. E este, ao contrário de Julieta, não teria a menor hesitação em mata-lo.
Ele sorriu, desceu a faca que tinha na manga. Estava pronto para terminar o serviço. Lambeu rapidamente o lábio superior.
— Estava a fim de fazer isso faz tempo, seu viadinho de merda!
— Lagarto! – gritou Julieta. – Carolina está fugindo!
— Vá atrás dela e deixa que eu cuido do belezinha aqui!
Julieta não tinha escolha! Não podia impedir que Lagarto matasse Romeo e também não podia permitir que Carolina fugisse. Mesmo assim, ela não queria que o seu companheiro fosse bem sucedido naquela hora.
Mesmo assim, ela correu.
O missionário no chão não demorou a perceber a posição em que se encontrava e logo deu uma rasteira no seu oponente, fazendo-o perder o controle da situação, segundos depois que Julieta passou por eles. O cabeludo ainda tentou impedir, mas o kalangu o puxou para a briga.
Lagarto acertou a face de Romeo, fazendo-o virar para o lado. Enquanto isso, lá do fundo, Crunch corria para alcançar o lugar onde os dois estavam.
Ele percebeu o ataque!
Foi instintivo! Romeo passou as duas mãos pelos dois coldres, como se o corpo tivesse agido sozinho, mas somente a mão direita achou arma. E mesmo assim, não era a sua. Ele sacou a arma e apontou para Crunch segundos antes dele finalizar o ataque, mas não teve pontaria o suficiente para acertar o grande, que por pouco não bateu com sua marreta no missionário.
“Droga!” – pensou Romeo – “Se pelo menos eu estivesse com as minhas armas!”
E aquilo fazia muita diferença. Ele sentia que não possuía controle total daquilo que segurava e percebia que suas habilidades haviam caído de nível drasticamente.
Lagarto havia sumido do local.
Romeo tentou se posicionar novamente, mas Crunch atacou e não deu espaço para ele, que por pouco novamente não foi atingido.
Ele sabia que ficar ali não adiantaria de nada. Os outros kalangus iriam atrás de Carolina e se ele não fosse protege-la, as suas chances de descobrir mais sobre o passado iriam embora, quem sabe, para sempre. Sendo assim, o cabeludo aproveitou uma brecha do inimigo e correu pelo mesmo caminho que Julieta percorrera.
Carolina corria dando voltas pelas casas, quando acabou saindo no mesmo local onde foram atacados inicialmente. Ali ainda estavam parados Cláudio e Klaus, este com a shotgun apontada para a sua cabeça. A mulher correu para o lugar onde ela tinha deixado a mala, pegou-a, puxou a sua pistola e atirou na direção de Cláudio, que por instinto deixou de apontar para Klaus e mirou em cima dela. “Filha da puta!” – pensou.
Escrito por Antero Filho às 21h47
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Milésimos de segundos! Klaus aproveitou a situação e já puxou suas duas pistolas! Carolina se jogou no chão para não levar o tiro e foi se esconder atrás de uma casa! Cláudio percebeu a movimentação do missionário e se jogou para qualquer canto para não morrer. Em pouco tempo, cada um estava escondido em seu canto e um tiroteio começava.
Mas enquanto Klaus e Carolina estavam com uma pistola, Cláudio tinha uma shotgun, uma arma muito mais destruidora do que as outras. Sendo assim, mesmo estando numericamente em desvantagem, ele tinha uma arma mais poderosa.
Julieta passou pelo lugar onde Carolina há pouco havia passado e vira a situação. Em pouco tempo ela se escondeu atrás de uma parede. Queria atirar, mas não conseguia parar de pensar em Romeo, e se odiava por isso.
Klaus saiu para atirar em Cláudio e fez apenas um buraco na parede. Este por sua vez, quando saiu, deixou um enorme rombo. O missionário sabia que se bobeasse um pouco, o estrago realmente seria enorme.
Carolina saiu para atirar, mas Cláudio foi mais rápido e disparou. O barulho ensurdecedor tomou conta do lugar mais uma vez e a mulher foi obrigada a recuar, e antes que ela pudesse contra-atacar , ela sentiu!
A faca penetrando fundo no seu corpo, na região do rim.
Lagarto estava a sua frente, fazendo força com a faca adentro, e a cena paralisou! Klaus, Cláudio e Julieta estavam escondidos naquela hora em que Lagarto aproveitou para se aproximar de Carolina, que estava focada no outro kalangu, e dera o golpe fatal.
A dor era insuportável e seus olhos se arregalaram!
Era o fim. E ela sabia disso.
Mesmo assim, num último esforço, levantou a pistola para o nariz de Lagarto, que por pouco não teve sua cabeça explodida. Com a falha no tiro, ela deu um soco no seu inimigo que o fez recuar. Depois disso, ajoelhou no chão.
Klaus saiu do seu lugar e correu para onde estava a mulher. Romeo vinha correndo pelo mesmo caminho, com Crunch em seu encalço. Quando ele viu Carolina ajoelhada com a mão em cima da ferida que não parava de escoar sangue escuro, seu coração gelou. Passou por onde estava Julieta e foi direto para a protegida. Crunch vinha logo atrás.
— Acabou! – gritou Cláudio – Cumprimos a missão! Vamos embora!
Lagarto, que estava se recuperando do soco, não se conformou.
— Vamos matá eles todos agora!
— Não precisamos disso! – gritou Cláudio – Vamos embora!
Lagarto desistiu e obedeceu a ordem do seu companheiro, e Julieta e Crunch também. Os quatro kalangus correram do lugar onde estavam. Não tinham porque continuarem mais ali.
Nem Romeo e nem Klaus quiseram ir atrás deles. Estavam infinitamente mais preocupados com Carolina, que tinha uma ferida profunda na região do abdome.
Klaus deitou-a no chão!
— Precisamos levar ela no hospital!
— Eu sei! Eu sei! Vamos rápido!
Escrito por Antero Filho às 21h46
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Contudo, Carolina segurou forte a mão de Romeo e puxou para perto, como se relutasse em sair daquele lugar.
— Eu. . . Vou. . . Morrer. – disse ela, com dificuldade em falar, os olhos bem abertos, a respiração ofegante.
— Não fale! – disse Klaus, com firmeza. – Nós vamos te levar para o . . .
— Não. – ela nem chegou a emitir o som, apenas movimentar a boca de modo que os dois fizeram leitura labial.
O sangue escuro como vinho tinto escorria e nenhum dos dois sabia o que fazer.
— Mala. . . Leve. . . Bill. . . – Ela arfava, mal falava. – Romeo. . .
Ela começou. Romeo ficou mais atento. Pelo jeito ela iria falar sobre ele. Estava ansioso, não sabia o que fazia. A sua vontade de ouvir era tanta que ele simplesmente paralisou na frente dela.
— Você. . . Mão Direita. . . Exibição. . .
Romeo não entendeu absolutamente nada do que ela disse. Como assim, “mão direita”? “Exibição”? Do que ela estava falando?
— Romeo! Vamos levar ela embora! Ela vai morrer aqui!
O cabeludo não queria admitir, mas Klaus estava certo. Sendo assim, ele a pegou no colo.
Em uma situação que exigiria uma atitude mais rápida, mais ágil, ele não sabia exatamente o que fazer. Ele estava paralisado.
Klaus pegou a mala, tomou a dianteira e chamou Romeo, que estava estático, com Carolina nos braços.
— Rápido, senão ela vai morrer!
Romeo pareceu acordar e começou a correr do jeito que podia. Não sabia para onde, nem mesmo Klaus sabia, mas corriam como loucos. Tinham a vida de Carolina em jogo, que se esvaía como o sangue que corria para fora dela.
Mas com uma força impressionante, que Romeo poderia duvidar que ela, naquele estado, ainda tivesse, Carolina puxou a gola de Romeo, trazendo sua orelha para perto da boca dela. E num último fôlego, num último respiro que aquela mulher poderia dar.
— Ela te ama!
E depois de dizer aquilo, Carolina o soltou.
— ELA QUEM?!
Mas já era tarde demais. Aquelas foram as últimas palavras de Carolina.
Romeo ajoelhou no chão com ela ainda em seus braços.
Não era a primeira vez que seu mundo desabava.
Escrito por Antero Filho às 21h44
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Eu gosto de escrever! Se eu passo muito tempo sem escrever eu começo a ter comichões na mão, coceira na mente e falta de atenção. É como estamos com fome e não conseguimos mais pensar em nada além de comida. Por isso mesmo, para alegria de alguns e talvez tristeza para outros, acho que só vou parar de escrever quando a própria vida me impedir. Talvez nem depois da morte eu pare. As letras alimentam a minha alma
Escrito por Antero Filho às 13h41
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