Romeo ficou quieto. Olhou para o lado. Que inferno! Que merda as pessoas ficarem dizendo para ele se focar no futuro e toda aquela conversa que ele já não aguentava mais. De qualquer maneira, ele agradeceu Bill e foi para o seu apartamento pensar em sua vida. No pouco que ele tinha para pensar.
Klaus estava sentado na mesa da padaria, mas seus pensamentos estavam longe do ocorrido na noite anterior. Eles estavam voltados para a balconista, a mesma que chamara para sair dias antes.
Sentia-se rídiculo, e por vários motivos. Primeiro, que começava a perceber que estava começando a gostar dela. Ou pelo menos ele achava isso.
Mas isso não era o pior. O pior era que ele estava sentado na mesma mesa seis, pediu o mesmo misto quente com suco de laranja, mas não conseguia sequer conversar com a moça, que descobriu antes que seu nome era Clara. Não conseguia chamá-la, olhar nos olhos e convidá-la para sair novamente com ele. A imagem de Sophia dando uma bronca da vez anterior lhe vinha a mente a toda hora
E Clara nem era tão bonita! Tinha o seu charme, os seus cabelos negros um pouco abaixo da linha dos ombros e o sorriso muito bonito, mas não era tudo aquilo de mulher para deixá-lo desconfortável daquele jeito.
Caramba! Era só chamar e convidar pra sair! Algo ridiculamente simples! Ridiculamente simples, que ele não sabia porque não conseguia. seu corpo simplesmente travava quando tentava levantar a mão.
Pensava no que seu pai diria. Um homem, moço de vindo de uma família como os Armadouro, se interessando por uma balconista de padaria. Com certeza ficaria extremamente frustrado. Ou talvez nem tanto, já que agora Klaus não fazia mais parte da família oficialmente, depois de tudo o que aconteceu.
Mas sua falecida mãe com certeza o apoiaria.
De qualquer maneira, ele estava ali naquela mesa sozinho, lutando contra si mesmo e perdendo muito feio. Balas eram muito mais fáceis de atirar do que palavras. Matar alguém era mais fácil do que gostar de alguém.
Gostar? Ele nem conhece ela direito. Gostar? Que gostar o quê!
E no meio da batalha que ele não sabia travar, ela se aproxima dele, sem que ele perceba, carregando uma bandeja com suco de laranja. Ela cheou perto e calmamente depositou o copo cheio na sua mesa, deixando-o perplexo e completamente paralisado. De uma maneira tranquila, ela disse:
— Aqui está o suco de laranja que pediu.
"Mas eu não pedi nada" ele ia dizer, mas a voz lhe abandonou, assim como qualquer controle que ele tinha sobre o corpo, e ficou sem dizer uma só palavra.
Ela deveria estar enganada. Ele não tinha pedido outro suco. Será que ela ia cobrar aquilo? Será que ele deveria devolver?
Mas suas dúvidas desapareceram quando observou, por debaixo do copo, um pequeno pedaço de papel. Cuidadosamente, retirou-o e abriu. Havia uma mensagem escrita
"6:30. Na frente da padaria"
"Ótimo!" pensou, ironicamente. "Ela, com uma simples atitude fez aquilo que eu queria fazer há horas". Isso sim é ridículo.
Mas sorriu. Ela o chamara para sair, o que significava que gostou dele. Talvez, quem sabe, ele não pudesse tomar a iniciativa em uma outra oportunidade?
Resolveu pagar a conta e voltar para casa. Vestiria uma roupa melhor e talvez, olhando no espelho, pudesse praticar um pouco da sua coragem.
Enquanto isso, Iara aparecia na sala de Bill, depois de resgatar Diego de Cidade Delsul. O velho sorriu ao vê-la e chamou-a para entrar. Obedecendo, ela entrou e sentou-se na cadeira que havia na frente da mesa do velho Bill, que lhe falou calmamente:
— Descanse dois dias, e depois vai partir em uma nova missão. Eu preciso entregar esta maleta para um velho conhecido e vou precisar de um guarda-costas.
Iara acenou com a cabeça, como se não se importasse em receber mais trabalho. Se reparasse bem, parecia que ela não se importava com absolutamente nada e que seguiria Bill onde fosse.
Era uma aparência tão bonita, mas seus olhos eram vazios.
Era como se tivesse, há muito tempo, deixado a razão para eles existirem em algum lugar distante da Terra.
Bill levantou-se e começou a olhar para a estante da sua sala, como se procurasse por um livro específico, mas não achou. Então voltou-se para Iara e disse:
— Chame para mim Diego e Romeo. Eles terão uma nova missão pela frente.
Escrito por Antero Filho às 13h38
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